domingo, 15 de setembro de 2019

À Cesar o que é de Cesar




Durante as muitas vezes em que Jesus foi posto a prova pelos fariseus, uma em especial chama a minha atenção. Na passagem de Mateus 22: 17-21, Jesus é questionado sobre a legalidade dos tributos à Cesar. Como todas as respostas sábias que deu, essa também não permite espaço para réplicas e vai muito além da interpretação espiritual que recebe.

"Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar o tributo a César ou não?
Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.
E ele disse-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?
Disseram-lhe eles: De César. Então, ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.
Mateus 22: 17-21

No campo religioso, cristãos propagam que o texto deixa claro que o nosso tributo não é aos homens (ou seja, à César), mas um tributo espiritual que deve ser dado à Deus em forma dedicação e entrega de vida. Essa afirmativa está correta!
No campo das relações sociais, porém, esta atitude de Jesus tem um aproveitamento extremamente relevante e pouco aplicado.
Quantas vezes nos vemos elogiando alguém que mereceria ser elogiado?!
Quantas vezes reconhecemos verbalmente, ou por atitudes, que algo só aconteceu por alguém entregou uma contribuição que fez aquilo ser possível?!
Aparentemente, isso não é algo que não acontece com frequência.
Transportando o ensinamento de Cristo para além da entrega de vida e espírito (que deve acontecer) para a relações interpessoais, pense em como poderíamos fazer o outro sentir-se mais valorizado se verbalizássemos mais vezes a importância das contribuições que recebemos. Isso é uma atitude, sobretudo, cristã.
Vejam bem, não há na pregação de Jesus Cristo qualquer incentivo ao reconhecimento e/ou elogio a outros homens e irmãos em Cristo, mas a Deus. Cristo orienta que devemos dar graças a Deus em tudo, porém, não a reprovação do Mestre para a mesma atitude, pelo contrário, no livro de Apocalipse, em meio às críticas e exortações à correção, o vemos reconhecer as boas atitudes das igrejas da Ásia Menor.

E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.
Apocalipse 2:3

O versículo acima refere-se a Igreja em Éfeso, mas há um reconhecimento positivo para cada uma delas, bem como, um julgamento pelos pecados que cometeram.
Entregar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus são duas ações distintas e são divididas sem nem mesmo serem percebidas. Podemos e devemos fazer os dois.

E quando "César" errar?

O reconhecimento de Cristo às atitudes positivas das igrejas também acompanha uma condenação por um ato ruim que haviam cometido.

"Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem.
Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio."
Apocalipse 2: 14-15

De fato, Cristo observou a atitude negativa de cada Igreja à que se dirigiu, contudo, o fez porque tem o devido direto.
E o mesmo direito é negado a qualquer um de nós.

"Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,"
2 Timóteo 4: 1


"Não julgueis para que não sejais julgados"
Mateus 7:1

Em suma, reconhecer a atitude positiva das pessoas que cercam as trará para mais perto de você, e ainda, as fará ver o Cristo que há em você. Dar a César o que é de César quando César merecer ser elogiado e/ou reconhecido e quando César errar, dê a Deus o que é de Deus, ou seja, as graças devidas e o Deus que conhecemos fará os julgamentos como lhe aprouver.

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